8 de agosto de 2023 | Estratégia ESG, ,

Mercado voluntário em compasso de espera

Por Gilberto Lima

A busca por mais integridade nos créditos negociados no mercado voluntário de carbono tem alcançado resultados importantes nos últimos meses, mas muitas dúvidas ainda permanecem. A mais recente iniciativa veio da organização independente de governança Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM), que anunciou os critérios que servirão de base para seus novos padrões do Princípio Básico de Carbono (CCP, na sigla em inglês).

A previsão é de que, até o final do ano, estejam disponíveis no mercado os primeiros créditos rotulados pelo CCP. De acordo com os critérios anunciados pelo ICVCM, o objetivo da iniciativa é aumentar a capacidade do mercado voluntário de carbono e apoiar o cumprimento das metas climáticas globais.

Para isso, entre os critérios a serem levados em consideração é a compatibilidade com a transição para Net Zero, ou seja, projetos que resultem no bloqueio de emissões. Outra exigência é a necessidade de compensarem qualquer reversão nos próximos 40 anos, além de comprovarem reduções e remoções que não aconteceriam sem a negociação do crédito.

De acordo com Dana Agrotti, analista de Mercados de Carbono da S&P Global, o anúncio do ICVCM traz alguma clareza ao mercado, mas é improvável que a iniciativa resulte em alta de preços e aumento de liquidez até o próximo semestre do ano que vem. O motivo é a expectativa sobre quais categorias de projetos e metodologias serão elegíveis de receberem o rótulo CCP.

Uma das incógnitas diz respeito aos projetos REDD+, que envolvem desmatamento evitado. Os créditos nessa categoria passam por um momento de intenso escrutínio, em virtude da recente divulgação de estudos que questionam a validade de parte desses ativos. Trata-se de um tema que interessa ao Brasil, mercado com grande potencial de atrair investimentos nesse segmento.

Por falar no Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu cancelar as chamadas públicas para aquisição de créditos de carbono no mercado voluntário lançadas no ano passado. De acordo com nota divulgada no site da instituição, “entendeu-se necessário reestruturar a estratégia de apoio do Banco ao referido mercado, considerando os avanços regulatórios e o próprio desenvolvimento do mercado voluntário”. A conferir as cenas dos próximos capítulos.

Por: Gilberto Lima