O Festival do Rio 2024, que começou dia 3 e vai até 13 de outubro, está na sua 26ª edição e tem diversas iniciativas que reforçam uma parceria crescente com as práticas ESG. Entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Na questão social, o festival celebra a diversidade com o Prêmio Felix, criado em 2014, que engloba somente filmes de temática LGBTQIAPN+. Foi o primeiro festival do Brasil a lançar uma categoria para premiar filmes com essa temática, e também foi pioneiro na América Latina.
Também é importante ressaltar que as exibições são somente em cinemas independentes, atraindo o grande público para conhecer e apreciar esses cinemas ‘menores’. O festival também promove exibições gratuitas, em horários e salas específicas.
A indústria cinematográfica está cada vez mais consciente da importância de reduzir o impacto ambiental de suas produções e eventos, e isso também se reflete nos festivais. Os grandes prêmios internacionais estão cada vez mais adotando práticas sustentáveis, como a redução de uso de materiais não recicláveis, otimização de energia em exibições e colaborações com iniciativas de economia circular.
Dois exemplos disso são os festivais de Sundance(EUA) e o Berlinale (Alemanha), onde são proibidas garrafas plásticas, incentivando o uso de garrafas reutilizáveis e bebedouros. Diversos festivais também substituíram os programas impressos por digitais.
Os festivais de cinema são muito importantes tanto para a indústria quanto para os cineastas iniciantes/ independentes. São por meio deles que os grandes estúdios conseguem ter um termômetro sobre seus filmes mais ‘cult’ e assim, a partir da recepção de crítica e público, escolher os títulos que serão aposta para grandes premiações. Para cineastas independentes é a grande chance e a vitrine de exibição e propaganda de seus trabalhos.
No Brasil, festivais são a oportunidade de os filmes nacionais se tornarem os grandes protagonistas das salas de cinema. Muitos deles não chegarão ao circuito oficial de exibição, e, se chegarem, terão pouquíssimas sessões. Depois disso, cairão nos vastos catálogos de streaming, onde, de acordo com pesquisa do DataFolha, um terço dos entrevistados rejeita o audiovisual nacional.
A indústria nacional consegue avançar, ainda que a passos de tartaruga, no reconhecimento internacional. Este ano, o filme que vai representar o Brasil nas premiações é ‘Ainda Estou Aqui’, de Walter Salles. Foi o primeiro longa brasileiro a receber um prêmio no 81º Festival de Cinema de Veneza, de Melhor Roteiro, escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega.
Até quando vamos precisar lutar por espaço e reconhecimento?

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