A cada 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra se empodera e torna-se um marco simbólico e energético para a comunidade preta, uma data para honrar o passado e refletir sobre o presente. No entanto, é essencial que as movimentações e reflexões não se limitem a este dia, semana ou mês. A luta pela dignidade e pelo respeito ao corpo negro é uma demanda diária, que precisa ser sustentada ao longo de todo o ano.
A experiência cotidiana do povo negro no Brasil carrega ecos de um passado escravocrata que ainda permeia a sociedade, mesmo que sob novas formas. Se antes a senzala representava a base de uma hierarquia social brutalmente segregada, hoje as periferias simbolizam esse espaço de exclusão, onde moradia, segurança e qualidade de vida são escassas. As longas e dolorosas rotas dos navios negreiros se refletem nas jornadas exaustivas e precárias em ônibus lotados e demorados, que levam trabalhadores negros das regiões mais afastadas aos centros urbanos. Aqueles que antes impunham chicotes para manter o controle e a produtividade, agora munem-se de pressão psicológica e chantagens nas empresas, onde o estresse e a cobrança constante se tornaram ferramentas de exploração.
A carne negra, dita como ‘a mais barata do mercado’, revela a política de desvalorização do corpo negro, tratado como força de trabalho barata e descartável. Historicamente explorado e oprimido, o corpo negro sempre foi relegado à margem, enquanto a riqueza e o poder permanecem centralizados nas mãos da elite branca.

A consciência racial é um processo de descolonização, um caminho de desconstrução das ideologias e práticas que inferiorizam e desumanizam a população preta. A visão colonial, que projetava o negro como uma peça de trabalho ou um objeto de lucro, persiste na cultura e nas instituições, legitimando atos violentos e sustentando privilégios baseados na desvalorização de vidas negras. Esse processo de inferiorização é uma das estratégias que mantêm o controle e a dominação, justificando a violência que se manifesta de diversas formas, nas abordagens policiais, na exclusão econômica, ou na falta de representatividade e oportunidades.
É crucial reforçar que ‘Vidas Negras Importam’ todos os dias, não apenas como slogan, mas como uma prática concreta de transformação social. É preciso que o reconhecimento e a valorização da vida negra transcendam as datas comemorativas e se integrem às políticas, às empresas e às comunidades.
Assim, poderemos construir uma sociedade que verdadeiramente respeite e celebre a diversidade, rompendo com as estruturas que ainda tentam aprisionar e oprimir o corpo negro em suas múltiplas formas.
Em novembro, os editoriais da Estratégia ESG serão escritos exclusivamente por autoras e autores negras e negros. Um símbolo para que ultrapassemos — enquanto sociedade — as fronteiras do mês e tenhamos vozes negras sempre, ativas e ecoantes. Acompanhe conosco!

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